PENSAMENTOS

domingo, 19 de junho de 2011

SOBRE O SOFRIMENTO

Todo sofrimento tem origem na atividde de uma única senhora e seus quatro filhos.
Essa senhora chama-se ignorância a sua filha mais velha, chama-se falsa identificação, depois veem os gêmeos apego e aversão e por último o filho mais novo que se chama desejo de continuidade
Essas cinco criaturas, sozinhas,  em pares ou todas juntas são causadoras de todo sofrimento da humanidade.
A ignorância é não conhecer a verdadeira natureza das coisas ou seres produzindo a falsa identificação, gerando apego ou aversão, querendo dar continuidade ao que dá prazer e reprimir ao que causa sofrimento.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

SOBRE A MORTE

A morte nos visita a todo instante e não percebemos sua presença. Ao acordarmos pela manhã não damos conta que o dia anterior morreu, ao entrarmos no inverno não damos conta que o outono partiu e assim em tudo que completa seu ciclo e se finda não tratamos como morte e não nos importamos coma a perda ou a ausencia. Nós só consideramos a morte, quando ela se apresenta a um ente querido, ai choramos e sofremos com a  perda e a ausência.
Mas afinal o que é a morte? Podemos afirmar com certeza que tudo na nossa existência é trnsitório e que só a morte é permanente, em resumo a morte é a permanencia na impermanencia.
Ao lancarmos nosso olhar para o cenário da existência observamos que clicos menores se fecham dentro de cliclos maiores, que também se fecham e até hoje ninguém sabe aonde isso termina, assim sendo a morte é necessária, pois ela é arauta de um novo tempo,
Outro aspecto a observar é que na morte está impregnado o sêlo do Mistério, e que a morte não é o oposto da Vida. O oposto da morte é o nascimento. A morte não tem capacidade de findar a Vida, pois esta já havia antes do nascimento e permanece após o fim da existência. O que a morte finda é a existência, como dizia o poeta Fernando Pessoa “.....tudo é verdade e caminho, nunca, jamais niguém se perdeu, morrer é apenas não ser mais visto....”
Se a morte é necessária, o sofrimento que a morte nos causa é desnecressário, sem deixar de ser justo. Sofremos porque estamos identificados com a existência e não coma a Vida e essa identificação gera aquilo que o saudoso Pierre Weil definiu como a “Ilusão da Sepatratividade”, a falsa identificação gera o apego, o apego gera o sofrimento e o sofrimento nos aprofunda na ilusão, criando assim um circulo vicioso.
Assim, cabe-nos reverenciar a morte como portadora do novo e desejar a quem parte, felicidade na sua próxima existência seja lá como ela for  e onde for.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

A volta da filha prodígio


Em uma terra não muito distante, havia um reinado conhecido pelo nome Androgéia, que era muito bem governado por sua rainha, a toda poderosa Sua Majestade Realidade Suprema.

Essa importante Rainha tinha a faculdade de estar presente em diversas formas por todo o seu reino.

Assim ela era reconhecida e até muitas vezes confundida, por todos os seus súditos, com tudo que era manifesto, não importasse o aspecto, denso ou sutil.

Essa Rainha tinha quatro lindas filhas, que eram por assim dizer como ministras da sua gestão.

Cada filha fazia o melhor de si para poder representar sua mãe utilizando de seus dons naturais, procurando expressa-los na sua forma mais pura.

A filha mais velha era muito bonita talvez a mais bonita de todas, chamava-se Artes e tinha como habilidade a expressão da beleza, da harmonia, da alegria e da criatividade além de inúmeros outros talentos

A segunda filha, também de uma beleza singular continha um semblante suave e austero, que contrastava com seu olhar sempre distante, chamava-se Ciência e tinha como faculdade  a expressão da ordem, do método, do conhecimento, da causa, da síntese, e além de muitas outras, continha o segredo da origem ou seja o poder de desvelar.

A terceira filha além de bela, podia se afirmar com certeza que era a mais sonhadora de todas, pois parece que havia recebido como talento um pouco de cada característica das suas irmãs mais velhas e dessa associação desenvolveu seus próprios dons, chamava-se Filosofia. E sua maior habilidade era transitar livremente entra a razão e a intuição.

A última filha era de uma delicadeza impar, e sua beleza exterior se confundiam por muitas vezes com sua beleza interior, ela tinha do dom da reverência, e se chamava Religião.

A rainha e suas filhas exerciam um reinado equânime e seu reino era reconhecido como terra da bem-aventurança.

Tudo ia muito bem até que um dia, a filha que se chamava Ciência, dominada pelo seu poder de desvelar, associado ao olhar para infinito, uma de suas características mais forte, resolveu deixar o reino da mãe. Partiu em busca de outros reinos e o curioso que quanto mais ela desvelava mais o mistério se apresentava e isso a fez ir para muito distante, perdendo por completo o contato com a casa da mãe, chegando ao ponto de ficar escrava de suas próprias descoberta e teorias.

Mas Sua Majestade Realidade Suprema, que entendia a ânsia de sua filha por descobertas, velava sua viagem e guardava o dia de seu retorno. Mas ela sabia que esse retorno aconteceria somente quando uma descoberta própria da sua filha a fizesse retomar o caminho de volta para casa.

E foi assim, que num belo dia, a Ciência, cansada de revelar e explicar e ter que revelar e explicar novamente num eterno sem fim conheceu a mecânica quântica e isso a fez lembrar-se da casa da mãe e ela resolveu reformular a sua vida e marchar de volta para casa.

Sua mãe que a acompanhava à distância, não disfarça, faz brotar na face um leve sorriso e manda preparar uma grande festa, digna de uma Rainha, pois a filha que se acha perdida dá sinais de que está voltando para casa.

A Arte, a Filosofia e a Religião, se juntarão à Ciência e brincarão de roda num eterno vir a ser.

Dona Rainha, então sentar-se-á em seu trono e poderá inaugurar um mundo novo.